Aguentas tanta transparência?

Todos nós temos o estranho desejo de experimentar uma maior transparência no local de trabalho. Creio que faça parte da natureza humana. Afinal de contas, durante o tempo das cavernas os humanos permaneciam no interior das mesmas por medo do desconhecido, assustados com o que pudesse estar lá fora. Bom, isso dito, provavelmente o que procuramos seja um local de trabalho mais seguro.

Assim, a pergunta de um-milhão poderá ser, “como promover um ambiente de trabalho mais seguro e confiável?”

No decurso da minha carreira experienciei em primeira mão diversas culturas organizacionais.

Senti, enquanto colaborador, que mesmo quando o ambiente de trabalho era divertido, mesmo quando me encontrava rodeado de pares e colegas mais seniores que perseguiam os mesmos dragões tecnológicos, alguns assuntos eram tabu.

Com o passar do tempo, aprendi a estar mais atento aos soluços existentes nas empresas, promovidos por algumas políticas ou dinâmicas mais estranhas.

Graças a um antigo CTO que tive, aprendi sobre Servant Leadership (mais sobre este assunto noutro artigo). Isso iniciou umas reacções estranhas dentro de mim e lançaram-me numa cruzada.

Eu queria sentir o que significava estar realmente preocupado com pessoas, não só sobre o seu desempenho, mas também sobre o seu crescimento enquanto profissionais e Seres Humanos. Afinal de contas, é esse o chamamento de um Servant Leader.

Será suficiente dizer que o meu percurso tem sigo atribulado.

Esta cruzada demonstrou-me que um dos principais ingredientes para a confiança deverá ser transparência (a construção de um ambiente confiável exige um artigo por si só).

Dessa forma, iniciei uma segunda cruzada, procurar por uma organização com uma cultura de transparência cristalina. E encontrei-a na RUPEAL.

Embora mergulhar bem fundo no que tenho vindo a aprender sobre transparência.

“O que me é exigido ou dos meus colegas não é totalmente claro 

Mais frequente do que se espera, as responsabilidades e as funções de determinada posição estão bem escondidas atrás de um qualquer título apelativo. Deixa que toda a organização saiba o que é esperado de ti e cada um dos teus colegas.

Quando fui entrevistado para a posição de Head of Engineering, foi-me apresentado um scorecard. Estava bem delineado o que era exigido para essa posição. Esse scorecard foi escrito pela mesma equipa que esse tipo iria liderar. Escrito por toda a equipa.

Senti que isso foi genial. Toda a equipa a trabalhar em conjunto na procura do melhor fit para a sua liderança.

Será suficiente dizer que, quando foi necessário crescer a equipa, o nosso CEO me entregou um livro chamado WHO, onde seria suposto eu aprender a melhor delinear scorecards com a equipa.

Lembra-te, toda a equipa teve de participar na criação do scorecard para preencher as necessidades do momento.

“Pah, o João está um calão do diabo. Estou a ficar farto de falhar os objectivos de sprints à conta dele. Mas porque não correm com ele? “

Os bons velhos boatos junto à máquina do café. É natural que, com o passar do tempo, surja algum desconforto dentro de uma equipa, ou até mesmo dentro de uma organização inteira.

Transparência exige que as pessoas falem umas com as outras. Sim, não são só sorrisos e abraço. Se tens algo para dizer, diz.

Mas, estás demasiado receoso de deixar saltar a tampa e dar inicio a uma torrente de desconforto. Nada temas, lembra-te que um ambiente de trabalho realmente transparente, também terá de ser altamente seguro. Na RUPEAL cada departamento tem pelo menos uma técnica de ajudar a esse processo. No meu departamento, realizamos uma sessão mensal para resolver esses assuntos. Gosto de lhe chamar carinhosamente, sessões de reclamação.

Nessas sessões não é permitida dar troco. Geralmente inicia-se com toda a equipa, um por um, a falar de mim e depois passo a bola para outro. Há uma vez para cada um.

Não te esqueças, somos todos crescidos, por isso ouve o que os teus pares te têm a dizer sobre o teu comportamento ou desempenho. Se há algo a dizer, provavelmente existirá alguma verdade nela. Ouve, escreve num papel e medita posteriormente. Mas nunca leves a peito.

“Não sei quanto a empresa vale, se está bem de saúde, ou mesmo quanto é que fizemos no ano passado “

Infelizmente, existem muitas empresas que durante o evento de arranque do ano apresentam as vitórias e as derrotas do ano transacto, mas as pessoas não conseguem, nunca, sentir se essa informação é de facto real. “Será que só fizemos mesmo isso no ano passado? Estamos mesmo a perder tantos clientes?”

Pessoalmente tento sempre acreditar no que me é apresentado nesses eventos.

Na RUPEAL podemos estar ao corrente das vitórias e derrotas que ocorrem a cada mês. E essa informação é sobre todo o grupo, por marca. É simplesmente fantástico. Acredito mesmo que todos nós sentimos que esses números nos pertencem. E não há espaço para dúvidas sobre a verdade desses números, basta passar junto ao Departamento Financeiro e eles te mostrarão o que está no portal da AT.

“Qual é o maior tabu na tua organização? “

Permite-me que te ajude a responder a esta – ordenados!

Booyah, mesmo na muche!!!

Até te digo mais, já vi pessoas ficarem realmente descontroladas devido a aumentos e bónus anuais, ou a falta deles.

Cada organização deverá criar o seu próprio limite nesta matéria, quanta transparência conseguimos realmente ter sobre este tabu? Na RUPEAL o limite foi decidido desta maneira – Vamos ser cristalinos e não ter quaisquer reservas.

Não há mais boatos e rumores sobre de quanto foi o bónus anual que a Maria recebeu no ano passado, nem se o novo tipo está a começar na empresa com um ordenado maior que o meu.

Isto é AWESOME!!!

Verdade seja dita, este foi o maior teste para mim. Anteriormente só os meus colegas, com quem teria maior afinidade, saberiam quanto ganhava por mês, e somente por saber que poderia confiar em que manteriam a descrição sobre o assunto. (Claro, os RH e as chefias também o sabiam, mas isso faz parte da política).

Recordo-me do Rui Alves me dizer no final da entrevista, “Não vou debater o vencimento desta posição. Temos um orçamento que foi decidido pela equipa de engenharia e no final de cada ano, será a equipa a decidir os bónus” e a minha reacção foi que o jogo da total transparência comece.

 

Aceito que para muitos esta transparência possa ser demasiado. Mas, pelo menos na RUPEAL, este nível de transparência está a funcionar.

Sinto-me realmente feliz e orgulhoso por sentir que dentro desta organização:

  • Existe sentimento de posse por parte de cada colaborador
  • Existe um grande sentimento de empenho e compromisso
  • As expectativas dos nossos pares são mais exigentes, mas exequíveis
  • As expectativas pessoais são mais realistas
  • Existem menos mal-entendidos
  • Existe uma comunicação totalmente aberta e sem barreiras
  • As pessoas estão realmente a crescer (tecnicamente e como pessoas)
  • Não existe espaço para rumores e boatos
  • Estamos Todos a Ter um “Filho da Mãe” de um Grande Momento !!!

 

Disclosure: Existe mais sobre transparência do que eu alguma vez conseguiria escrever num único artigo. Mas se a queres experienciar pessoalmente, entra em contacto, nós estamos a recrutar mais dois developers para uma das nossas equipas de engenharia.

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