Coaching, Mentoring, Training – Quando considerar cada chapéu?

Tenho vindo a lidar com esta questão na minha cabeça, faz algum tempo.

Olhando para o meu passado profissional, já tive bastante contacto com cada um destes conceitos.

Eu lecciono desde 2005 e anteriormente passei quase 20 anos a estudar em escolas e centros de formação. Gosto de acreditar que consigo compreender o conceito de Formação. Claro, há imensas coisas que não sei, mas não sou um estudante de Pedagogia.

Quando iniciei a minha carreira como developer, recordo de perguntar ao Kim Hansen por conselhos. Não o conhecia pessoalmente na altura e, quase 17 anos depois, continuo a nunca o ter encontrado pessoalmente. Foi a minha primeira relação com alguém que eu via como mentor.

Tempo passou e enquanto eu trilhava o meu caminho profissional, procurei ter mais mentores. Quando tive a minha primeira chance como CTO, recordo-me de pedir ao Nuno Godinho e ao Ricardo Fiel por conselhos. Eu já tinha algum histórico com eles. Tive a oportunidade de partilhar o palco e algumas viagens com eles, e tenho boas memórias desse período. E posso chamá-los de amigos.

Fechando o círculo, comecei a ser também mentor de outras pessoas. Acredito ter um entendimento decente sobre o conceito de Mentoria.

Em determinado momento da minha vida, senti-me perdido. Eu sabia que queria atingir algo, mas não conseguia entender o que era, nem como chegar lá (mas lá onde?). Felizmente tive a oportunidade de ter várias sessões de coaching com a psicóloga e coach Joana Araújo Lopes, uma amiga da minha mulher. Essas sessões foram transformadoras!

De momento encontro-me a meio da minha formação para a certificação como Coach, e comecei a ter um melhor entendimento do que é o Coaching.

Estes três conceitos têm desfechos similares, ajudar alguém a melhorar, a ser mais eficaz. No entanto, mesmo com desfecho similar, são aproximações totalmente diferentes.

Tempo de aprofundar um pouco !!

Formação

A mais simples de nos relacionarmos. Passamos quase 1/4 das nossas vidas entre ensino formal ou em centros de formação. Encontramos o conceito de currículo e objectivos de aprendizagem bem definidos, os quais serão entregues por um professor ou formador. Estamos a falar de apresentações, seminários, discussões, exercícios, e tudo o que a pedagogia prega (tenta te recordar dos teus tempos de estudante).

É uma relação formal entre uma turma (ou um aluno só) e um professor ou formador. A maioria das vezes não temos voto de escolha do professor que nos calha na rifa.

Se te recordas, o professor tem uma influência muito forte na forma como nós entramos no currículo, como absorvemos o conhecimento. Existe uma transferência directa de conhecimento e, se o professor ou formador amarem o que fazem, os alunos irão ficar muito mais entusiasmados com a aprendizagem.

E sempre que é necessário um diploma formal, esta é a forma.

Mentoria

Um mentor é alguém a quem pedimos ajuda. Provavelmente alguém com quem olhamos com credibilidade, alguém que é um expert no conhecimento que procuramos. Uma relação informal entre duas pessoas, sem obrigações. Poderá ser entre amigos ou colegas de trabalho. Muitas vezes acontece sem que alguma das partes assuma quem é o mentor. Não muitas vezes, poderá começar com um simples cold email que envias para alguém que não conheces pessoalmente (dependerá imenso da sorte).

Este é o processo de ensino com maior informalidade, e é um processo evolutivo. Se ambas as partes continuarem a relação, provavelmente ir-se-á transformar numa relação entre pares.

Tal como escrevi acima, na minha carreira já tive pelo menos três mentores. Sempre que tinha uma dúvida sobre como fazer algo, alcançar um objectivo específico, eu pegava no telefone e conversava durante uma hora, ou tentava agendar um almoço. Eu saí sempre com novas ideias, novas abordagens, novas descobertas, tudo através da experiência de cada um dos mentores.

A beleza deste método é que permite termos vários mentores, um por cada área em específico – recordo-me de tentar várias pessoas e só obter silêncio de resposta, mas não fiquem desiludidos.

Procurem por um mentor e não se esqueçam de serem também mentores de alguém. Todos temos algo para partilhar, algo para ensinar, e também para aprender.

Coaching

Aqui vem a arte de fazer perguntas poderosas – a forma como vários formadores de coaching o definem.

Um coach não tem de ser alguém especialista na área em que estás com dúvidas. Um coach não te irá ensinar, não irá ser um mentor. Esse não é o papel de um coach.

Um coach deverá disparar questões. Questões que te deverão desbloquear o pensamento. Tudo começa com a premissa de que todas as respostas estão dentro de ti.

Começamos com a clarificação do teu estado actual, o teu ponto de partido – ponto A.

Um coach ir-te-á colocar questões até clarificar o que realmente queres como objectivo – ponto B.

Um coach ir-te-á ajudar a explorar e considerar todas as alternativas possíveis e impossíveis para te moveres do A para o B.

Poderá ser de uma relação formal ou informal, que durará enquanto não atingires o teu objectivo B. Claro, nós somos humanos e algumas relações nascem, mas uma relação coach-coachee deverá terminar quando se atinge o ponto B. Muitas vezes o processo continua mas com diferentes agendas, diferentes As e Bs.

Existe uma área cinzenta entre mentoria e coaching. Se o teu coach tiver experiência na área em que estás a tentar de mover, e se já se conhecem, há probabilidade de o coach te aconselhar algumas hipóteses que ele considerou na sua vida. Atenção, isto é mentoria e qualquer coach deverá avisar o coachee disso. Provavelmente tal só ocorrerá numa relação coach-coachee informal.


No Grupo RupealKWAN, InvoiceXpress, ClanHR – a empresa para a qual trabalho, temos uma cultura que promove as relações formais (e informais) de coaching.

Todos os directores, gestores e lideres de equipa deverão ser coaches certificados e deverão ter tempo na sua agenda para ajudar qualquer colaborador que assim o deseje.

Se o objectivo está relacionado com a experiência profissional do coach, provavelmente nascerá uma relação de mentoria.

No entanto, sei que há colaboradores que aproveitam a oportunidade de ter sessões de coaching para tentar atingir objectivos noutras áreas diferentes da sua carreira – finanças, relacionamentos, saúde…

Não fiques surpreendido, numa empresa onde se promove a transparência, é natural que as pessoas falem um pouco de tudo (mas as sessões de coaching são privadas e confidenciais).

A partir de Maio, terei espaço em agenda para 4 coachees. Se estiveres interessado, faz um pitch através do meu LinkedIn (DM).

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