Empowerment – “please, go ahead, take a chance, make your call”

Tenho vindo a pensar imenso sobre o tema confiança no ambiente organizacional e como nutrir essa característica numa equipa. Mas, ao me aproximar do marco dos 40 (é já amanhã para todos os efeitos) os meus pensamentos me levaram a um trilho diferente.

Quando era um jovem, tentei ferozmente nunca falhar em todas as aventuras em que me colocava. Na realidade, só o pensamento de falhar, me causava mais pânico.

Mais tarde na vida, aprendi através de sessões de coaching que só tentei obter aprovação de parte dos meus pais. Completa idiotice minha, os meus pais eram demasiado jovens, estavam altamente ocupados a criar dois putos e a lutar para manter os empregos que nessa altura escasseavam. Foi pateta de minha parte porque eles sempre me motivaram e desafiaram para experimentar diferentes desportos, tocar música, ler livros de temáticas diferentes, e até em ser bombeiro voluntário na corporação da minha terra natal (tinha 14 anos).

Enquanto lia e pensava arduamente no assunto, percebi que algumas palavras e acções simples teriam feito toda a diferença.

Eu sei, estás a pensar, “lá vem este gajo com a filosofia do Servant Leader…..de novo!

Podes crer, foi essa primeira aproximação ao tema que me fez ver o Mundo com um olhar diferente. No entanto, levei vários anos a realmente abrir os olhos.

Esta semana tive um almoço com a minha anterior equipa. Sempre que um deles troca de emprego ou de responsabilidades, é marcado um almoço de “equipa” para que possamos celebrar juntos. Mais que um conjunto de tipos, nasceram mesmo algumas amizades verdadeiras.

Só esse sentimento me enche o coração de alegria.

Mas, o que quero recontar desse almoço foi o facto de que um deles aceitou um novo, tecnologicamente mais desafiante desafio e quis “mo dizer pessoalmente, na cara“. Eu fiquei realmente feliz por ele, mas senti que tinha algo mais em mente…e isso deixou-me intrigado.

Nos anos 90, quando estava prestes a saltar para a Universidade, vi um filme chamado “Mentes Perigosas“. Nesse filme apanhei uma mensagem que, na altura, achei altamente mas não ao nível que considero actualmente.

LouAnne Johnson, uma professora real, representada pela Michelle Pfeiffer, atribuiu nota 20 a todos os seus alunos no primeiro dia de aulas. Se pensares nisso, para muitos miúdos essas notas são muito difíceis de alcançar. LouAnne fez com que toda a turma começasse com essa nota. Em vez de olharmos para algo difícil de alcançar, já a temos na mão.

Agora, pára e pensa um momento nisso.

Será mais difícil alcançar uma nota 20, ou manter uma nota 20?

Na realidade, será o mesmo esforço. LouAnne só trocou a percepção desse esforço.

Eu acredito, de verdade, nesta troca de percepções. Em vez de ficar à espera que um elemento da equipa demonstre ter capacidades para realizar determinada tarefa mais complexa, eu tento fazer com que deem o salto, que saiam da sua zona de conforto.

Mas, de volta a esse almoço…fui para casa pensar na situação. Tentei visualizar onde ou quando é que não dei uma chance a esse colega? Onde ou quando é que lhe falhei?

Verdade seja dita, não falhei. A oportunidade de realizar tarefas fora da sua zona de conforto sempre esteve presente, tal como para outro colega qualquer. O caminho estava lá para ser percorrido. Mas eu não posso levá-los a percorrer o caminho nos meus sapatos.

Irei manter esta aproximação de atribuir “nota 20” a cada elemento da minha equipa. Irei manter o meu esforço em lhes proporcionar um ambiente seguro e de confiança. De lhes apresentar oportunidades, mesmo que seja um developer junior, de escolher uma qualquer user-story mais complexa, ou alguma funcionalidade estranha, e que a possam desenvolver “da cabeça aos pés”.

“Mas e se falham?”

Só falharão se a equipa não for uma equipa mas só um grupo de developers “a soldo”.

Para mim, uma equipa vence e perde como equipa. A equipa será tão forte quanto o seu elemento mais fraco.

Prefiro deixar que um elemento mais fraco dê o passo de aprender e crescer…e elevar a força da equipa.

Se lhes deres uma hipótese, espera que eles falhem.

Se lhes mostrares o percurso, espera que não queiram percorrer esse caminho.

Se pensas que está na altura deles se aventurarem fora da sua zona de conforto, espera que eles pensem o contrário.

Relembra-te, só poderás dar orientação e nutrir o ambiente correcto.

Mas por favor, fá-lo antes deles procurarem a tua aprovação. Mostra-lhes que realmente te preocupas, enquanto profissional e enquanto pessoa.

Ahhh….mas fiquei mesmo feliz por esse meu ex-colega, ele está a percorrer o caminho, mas à sua própria velocidade !!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *