Não Leves Nada a Peito

Aposto que já tiveste a tua quota-parte de mal entendidos porque alguém disse algo sobre ti, directamente ou indirectamente, e te sentiste magoado. Consegues recordar o quanto pesado ficou o ambiente? Consegues recordar a sensação da raiva a crescer dentro de ti?

[Fotografia por george Crux de FreeImages]

Felizmente vivemos numa época onde as pessoas já não resolvem as coisas pelas suas próprias mãos, caso contrário ainda teríamos muitos duelos para defender honras (e egos).

No meu último artigo escrevi sobre o primeiro acordo do Don Miguel Ruiz. Sê bem vindo ao segundo acordo.

Não Leves Nada a Peito

Don Miguel Ruiz

Consigo ouvir o teu pensamento “Pois pois, então estás-me a dizer que se alguém falar mal de mim eu não deverei fazer nada, nem mesmo ficar lixado da vida com isso”.

Antes de entrarmos mais a fundo sobre o que quer dizer este acordo, gostaria de te falar sobre esse “ficar lixado da vida com isso”.

A maioria das pessoas vive em piloto-automático. Existem demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo – acordar cedo, despachar os miúdos para a escola, ir para o trabalho, sair do trabalho, apanhar um dos miúdos no treino de karatê e o outro no treino de futebol, ir para casa, dar banhos, preparar o jantar e deitar os miúdos … uff … a vida é demasiado stressante.

Entretanto, tudo o que acontecer pelo meio são puras reacções emocionais. Às vezes, nem percebemos quando começamos a ficar chateados com alguma coisa. Simplesmente reagimos, e algumas vezes em puras explosões emocionais.

Quando tive o meu primeiro contacto com os acordos do Don Ruiz, também tinha a crença que seria impossível não ficar irado. Principalmente porque não conseguia perceber quando as coisas estavam a começar.

Felizmente participei num curso de 8 semanas sobre Redução de Stress Através do Mindfulness (MBSR).

Nesse curso realizámos muitos exercícios, alguns em sala, outros em casa, mas principalmente técnicas de meditação que nos permitisse estar totalmente presentes e conscientes do momento. Não interessa se vives a tua vida numa azafama. Tu irás saborear cada pedaço dela. E então, também todos os momentos mais stressantes poderão ser “saboreados”.

Assim, quando começares a sentir que estás próximo de uma explosão emocional, poderás optar por parar essa reacção e pensar um pouco sobre o que a está a despoletar.

Ok, podemos regressar ao segundo acordo. Quando alguém fala mal de ti, sente a resposta emocional que o teu corpo vai te dar mas permite que a tua mente seja preenchida com o seguinte pensamento – O que os outros dizem ou fazem são projecções da sua própria realidade, dos seus sonhos, dos seus medos.

O que os outros dizem de ti diz mais deles do que de ti próprio. Essa é a grande verdade libertadora. Não mais serás afectado pelas opiniões ou acções de terceiros e deixarás de ser uma vítima.

Aceitar este segundo acordo é deveras libertador. Acredita que terás menos “duelos pela honra e ego”.

Resumindo, acredito que isto tudo cabe em duas partes. Primeiro, tens de estar verdadeiramente presente no momento para te permitir sentir as reacções emocionais do teu corpo. E depois sim, permitir-te reagires com o segundo acordo bem presente na tua mente.

“Nunca discutas com idiotas. Eles vão te arrastar até o nível deles e vencer pela experiência.”

Mark Twain

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