O meu primeiro “Ask Me Anything” (parte 4)

A quarta parte da minha sessão AMA.

A primeira questão foi sobre aprendizagens, a segunda sobre medos e receios, e a terceira sobre momentos desafiantes e motivação.
Nesta parte a questão é sobre o que eu faria se tivesse um inimigo a dormir bem no seio da equipa.

Como lidar com elementos tóxicos dentro da equipa, que trabalham para “minar” o trabalho do Scrum Master? Elementos da própria equipa. O que torna o desafio maior (acho). Quando são elementos externos, tu deves unir a equipa para protegê-los dessas influências. Elementos internos provocam ou tentam uma divisão que causa desconforto. Quando será a hora de “desistir” de alguém pelo bem maior da equipa?

Pedro Barata (Scrum Master no Banco BPI)

O Pedro trouxe duas questões complicadas:

Como lidar com elementos tóxicos que estão dentro da equipa, e que trabalham para “minar” o trabalho do Scrum Master ?

Eu tentaria chegar a ele mas em vez de aceitar a luta, eu tentaria perceber as suas intenções, as suas ideias. Porque é que ele quer enfraquecer a performance da equipa? Terá ele alguma questão com a gestão de topo? Será que ele não acredita em Agile? Será que tem ambições de ficar com o teu papel? Ou poderá ser simplesmente a sua maneira de ser?

Iniciar uma luta irá colocar a tua posição dentro da equipa, enquanto defensor do manifesto Agile, em perigo.

Indivíduos e interacções acima de processos e ferramentas

Tentaste falar com esse indivíduo? Haverá espaço para melhoria nas tuas formas de aproximação a ele?

Tu és o defensor do manifesto, por isso deverás lutar por ele, promovê-lo e melhorá-lo.

Já tentaste lhe pagar uma cerveja e num momento relaxado lhe perguntar porque é que ele está sempre em luta com o teu trabalho?

Repara, percorres esse “extra mile” atrás do tipo terá um efeito secundário na tua equipa. Eles ver-te-ão como alguém que luta por resolver a situação. Ficarão gratos por ter alguém na equipa que luta pelos seus indivíduos e pelas suas interacções enquanto equipa – “se ele o faz pelo outro, também o fará por mim se eu precisar”.

Entretanto, enquanto tens essa luta silenciosa, eu deixaria que a minha chefia tivesse conhecimento de tudo. Porque se chegar ao ponto de rutura, alguém terá de sair. Mas ele também poderá ter ideias de como resolver essa situação, ou até de como trazer esse tipo de volta ao grupo.

O teu manager não deverá ser o último a descobrir.

Recorda-te, vulnerabilidade não é um sinal de fraqueza. Fala com o tipo e fala com a tua chefia.

Quando é altura de “desistir” de alguém para o bem maior do resto da equipa?

Claro que existem situações que não deverás nunca tolerar, como situações de extrema rudeza, brutalidade ou até violência para contigo ou alguém da equipa (basicamente as mesmas coisas que não deverias aceitar numa sociedade decente.

Acredito que depende das situações. Mas vejo esta questão como uma continuidade da anterior.

Vamos considerar que esse tipo é mesmo somente alguém tóxico, alguém que fala nas tuas costas enquanto está na copa ou na máquina do café.

Eu tentaria primeiro perceber o porquê desse tipo de comportamento…e tentaria o ajudar a ultrapassar essa situação, promovendo algumas mudanças.

Tenho uma questão de volta para ti – Tens o poder de o despedir?

Supondo que sim.

Depois de tentar o meu melhor para o alcançar e, sem sucesso, teria uma reunião de “despedida” com ele:

“Meu, o teu comportamento é inaceitável e está a começar a afectar a equipa. Eu tentei te alcançar mas sem grande sucesso. É isso, isto é um cartão amarelo!! A equipa, e eu, não iremos tolerar mais esse tipo de comportamento. Irei te dar mais uma hipótese, digamos de um mês. Se o teu comportamento não mudar, então é um adeus.”

Mais fácil falar que fazer, eu sei. Mas para alguns isto funciona como uma chamada à realidade. Eventualmente, chegará a hora de um adeus definitivo.

Se chegares a esse ponto, não faças uma grande cena sobre a situação. Tu tentaste promover mudança, e até deste uma última hipótese como ultimato. Fizeste o que era suposto. É hora de seguir em frente … para ambos.

Se naõ tens esse tipo de poder, por favor, por favor, por favor, deixa que o teu manager saiba da situação. Não deixes que a situação atinja dimensões que afecte a equipa no seu todo, e a sua performance caia a pique. O teu manager deverá tomar conhecimento do que está a acontecer dentro da equipa, e a decisão final deverá partir dele.

Existe ainda uma hipótese adicional (vê isto como um extra), és tu que sais!

Por vezes a toxicidade está presente em toda a organização, onde tu és uma “ave rara”. Se é esse o caso, não tenhas vergonha. Dá o teu melhor…mas nunca te esqueças, também, de pensar no teu crescimento – enquanto pessoa e profissional.

Para finalizar, posso partilhar contigo que já estive em situações similares, mais do que uma vez…e pude provar em primeira mão, esses três desfechos.

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