O meu primeiro “Ask Me Anything”

2018 começou numa toada difícil. O ano anterior foi complicado. Tive alguns desafios profissionais – um elemento da minha equipa foi despedido e outro foi enviado para trabalhar como outsourcing num cliente – e também tive um revés financeiro a nível pessoal. Mas eu continuei em frente, mantive-me optimista, e a trabalhar arduamente. Eventualmente isso deu dividendos e transformou 2018 num grande ano. Senti que aprendi imenso. Senti que todas essas situações e revés me ajudaram a melhorar enquanto pessoa, e também enquanto líder. Acredito que devemos partilhar todos os ensinamentos que a vide nos presenteia, então pensei em fazer o meu primeiro “Ask Me Anything” (AMA).

Escrevi nas minhas redes sociais que iria estar a aceitar questões relacionadas com Servant Leadership, Engineering Management, Agile, eXtreme Programming, Pessoas e Equipas.

Para prevenir que este artigo tomasse proporções gigantescas, irei responder as questões em artigos isolados. Aqui está, o primeiro:

Qual foi o princípio/ideia que teve maior impacto no teu trabalho este ano? Porquê?

Rui Barbosa (Sr Web Engineer na Hexis Technology Hub)

Tentei escolher só um, mas não consegui. Assim terei de dizer que foi Transparência e Gratidão.

Apesar desses conceitos não serem uma novidade para mim – já li alguns livros sobre Servant Leadership, Desenvolvimento Pessoal e Confiança – nunca senti como funcionava a transparência cristalina no seio de uma equipa (quanto mais numa empresa inteira), nem nunca tinha visto gratidão ser demonstrada desta forma

Transparência, como é que isso funciona? Permite-me dividir em duas partes, negócio e pessoas/equipas.

Em termos de negócio, tudo começa no nosso CEO e na camada de Top Management.

Todos estamos sentados num open space, até o CEO. Ele está tão acessível quanto outra pessoa qualquer. Não existem barreiras to se chegar a ele ou a qualquer um dos directores.

No início do ano, o CEO e o Board of Directors têm uma reunião onde definem os objectivos anuais para a empresa. Nós utilizados o framework OKRs (Objectives and Key Results). Posteriormente, esses objectivos são apresentados a toda a empresa. Todos nós sabemos o Porquê e o Destino da empresa. Em cada trimestre, cada equipa deverá definir os seus próprios OKRs que estejam de acordo com os OKRs da empresa, e também esses serão apresentados a todas as equipas. Todas as equipas estão alinhadas em relação aos objectivos da empresa e aos seus próprios objectivos.

Durante o ano, qualquer decisão ou idéia que o CEO tome, sozinho ou com o Board of Directors, será apresentada e debatida com toda a empresa. Qualquer um poderá levantar questões, dúvidas, preocupações. Ele irá responder a cada uma dessas. Se for necessário, caso alguém tenha percebido algo que o CEO ou o Board of Directors não apanharam, o que foi apresentado poderá voltar ao estirador para ser novamente iterado e aperfeiçoado.

Creio que em relação à transparência, esta é a parte mais fácil. Deixa-me, agora, mergulhar nos verdadeiros desafios, as Pessoas/Equipas.

Qualquer director tem algum tipo de ferramenta para trabalhar o momento da equipa. Não me refiro a ferramentas de gestão. Falo de ferramentas de coaching. Na minha equipa realizamos sessões 360º regularmente.

E como é que isso funciona?

Pelo menos uma vez em cada trimestre vamos todos para uma sala de reunião, sem telemóveis, portáteis, ou outro tipo de distração, e vamos sem limitação de tempo. À vez, iremos dar feedback a cada um de nós. Por exemplo, começamos pelo director. Cada elemento da equipa irá dar feedback, bom ou mau, num ambiente seguro e humano. A outra parte só pode ouvir, e caso ache necessário, apontar num papel qualquer tema que queira trabalhar em casa. No final deverá agradecer o feedback que lhe foi dado.

Se surgir alguma situação interna ou inter-equipas, marcamos imediatamente uma sessão 360º.

Este tipo de feedback também vai no sentido ascendente, quero dizer, se alguém sentir-se ferido por algo que o CEO ou algum elemento do Board disse ou fez, deverá dizê-lo, num ambiente seguro. Ninguém poderá levar, nada do que for dito, a peito. E acreditem, qualquer um sabe dizer “Peço desculpa, estive mal, vou aprender para melhorar o meu comportamento de futuro”.

Este é o nível de transparência que mais gostei de ter encontrado neste último ano.

Acredito que a Gratidão surge como uma consequência de toda esta transparência e confiança. Por exemplo, temos bastante orgulho em agradecer a algum colega que fez algo bom. Claro que numa utilização diária poderá cair em abuso, mas em momentos chave, irá fazer maravilhas à pessoa e à empresa.

De novo, a gratidão também sobe toda a escada. É comum que o nosso CEO agradeça pessoalmente a cada um de nós por algo que se realizou ou atingiu durante esse ano. E acreditem, um bom líder tem de ser humilde e vulnerável para fazê-lo….como qualquer Servant Leader deverá ser.

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