O que queres ser quando fores grande?

Quem nunca ouviu esta pergunta antes?
Desde tenra idade somos bombardeados com esta pergunta e os “grandes” esperam que os miúdos saibam responder. Mas porquê?
Eu tenho 40 anos e ainda não consigo dar uma resposta directa.

Enquanto estava a crescer, o vazio da resposta foi verdadeiramente devastador. Recordo-me de olhar para alguns dos meus colegas de escola, e alguns deles estavam tão seguros e certos de si e do que queriam ser, que comecei a ter alguma ansiedade relativamente ao meu “futuro”.

Desde criança que tenho muitos hobbies e interesses. A curiosidade sempre levou a melhor sobre mim. Eu queria ser tantas coisas, que até doía.

Então, aceitei essa pergunta como um preconceito e prometi ao meu “futuro-eu” que iria lutar contra ela com toda a minha energia, e que, ninguém poderia me demover, nenhum familiar, nenhum professor, ninguém, ponto-final !

Entretanto as areias do tempo continuaram o seu percurso. Eu encontrava-me em paz com a pergunta, apesar de ainda não a conseguir responder, mas encontrava-me em paz.

Quando fiz 37 anos, nasceu o meu filho. Foi um evento que me fez parar para pensar na vida, nos meus sucessos, nos meus insucessos, e em todas as mensagens que eu era contra, durante o meu crescimento até me transformar num homem.

Estou a caminho dos 41, o meu filho já tem 4. Nestes 4 anos aprendi imenso só de observá-lo a crescer. Um dia ele quer ser um super-herói, noutro somente um bombeiro, um chef, um pintor, um músico …

Mas eu não lhe pergunto o que é que ele quer ser.

Destruir a magia da imaginação de uma criança é uma das coisas mais horrendas que se pode fazer.

Isto trouxe um novo fôlego à minha demanda – Leonardo da Vinci, o meu maior ídolo, conseguiria responder?

“Leonardo, o que queres ser quando fores grande?”

Leonardo da Vinci foi um homem de múltiplas caras, múltiplas dimensões. Teria ele respondido, “Eu vou ser pintor, engenheiro, inventor, músico, poeta, anatomista, geólogo, mecânico, botânico” … e por ai fora ?

Se alguém me pedisse para definir este homem numa única palavra, eu diria – CURIOSIDADE

Essa é também a principal característica de todas as crianças. O Mundo inteiro é um parque de diversões, existem tantas coisas para aprender, para ver, provar, ouvir, cheirar, sentir. É por isso que as crianças têm tantos “eu quero ser X”.

Permite-me te convidar para um pequeno exercício. Se tens filhos, ou alguém da tua família ou amigos têm filhos, passa um dia inteiro a observá-los a brincar.

Num único dia, quantas vezes é que eles brincam ao “faz de conta”? E quantos papéis diferentes eles representam?

Poderás brincar como eles? Não? Então pergunto-te, tens hobbies? Esses são os “faz de conta” dos adultos.

Por exemplo, eu tinha (e ainda tenho) uma multiplicidade de hobbies.

O que queres ser quando fores grande?

Ainda não consigo dar uma resposta directa, porque considero que a minha profissão e todos os meus hobbies fazem parte de mim – de quem fui, de quem sou, e de quem eu me tornarei. Eu sou a soma disso tudo.

Consigo te ouvir a pensar – “Pah, um hobby é para passar o tempo enquanto me divirto um pouco”.

Voltemos ao exercício de observação.

Enquanto as crianças brincam, experimenta brincar com elas. Vais te surpreender quão sérias elas estão a levar a brincadeira. E no entanto, também se estão a divertir porque estão a viver o momento.

Da próxima vez que estiveres a realizar um hobby qualquer teu, leva-o a sério. Considera, mesmo que só por momentos, que és realmente bom a fazê-lo ou que queres ser o melhor a fazer o quer que estejas a fazer.

Leva tempo a recordar de como o fazias enquanto criança. Permite-me te apresentar estas três ferramentas para experimentares:

  • curioso
  • Brinca muito
  • Leva a brincadeira a sério

No final, todos os Humanos são polidimensionais e todos temos capacidade de alcançar novas realidades, novas dimensões, novas aventuras e novos resultados.

Por isso, pergunto-te de novo – O que queres ser quando fores grande?

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