Vulnerabilidade – um sinal de força

Muitas pessoas acreditam que têm todas as respostas. Pior, acreditam que lhes é exigido ter todas as respostas por se encontrarem numa posição de liderança.

É muito usual que alguém que esteja à frente de uma equipa, departamento ou até mesmo uma empresa, acreditar que têm de ser vistos como alguém que detêm todas as respostas, sem dúvidas e extremamente seguros de si. Algumas vezes essa postura anda de mãos dadas com uma atitude de arrogância.

Claro, os grandes visionários têm toda essa arrogância quando falam da sua visão. Afinal de contas é a sua visão. Eles terão de ser quem acredita que é possível alcançar essa visão. Mesmo assim, deverão ser humildes o suficiente para contratar pessoas que os irão ultrapassar. Esses serão os que irão ajudar a levar a visão do ponto A ao ponto B. Mais, na procura desse ponto B, quando és humilde o suficiente para ser o último a falar, e realmente ouvir o que as tuas pessoas te terão a dizer, diferentes resultados poderão ocorrer. Quem sabe se o ponto C não poderá ser um projecto secundário. Esta aproximação não é assim tão surreal, basta olhar para algumas das descobertas do Google.

Mas entremos numa perspectiva mais micro, um ponto de vista mais “eu não sou um CEO“.

No percurso da minha vida encontrei pessoas que se escondem atrás das suas falhas, ou dos seus medos, sendo o arrogante ou o palhaço da equipa. Tão difícil quanto descortinar que falhas ou medos são esses, é bastante fácil de descobrir essas pessoas.

Tive um gestor de primeira linha que estava totalmente dentro do pensamento comando-e-controlo. A equipa fazia sempre o que era solicitado por ele, mesmo quando era visível que o caminho iria ser complicado ou até mesmo se fosse uma decisão errada para a equipa. Ninguém participava com ideias. Verdade seja dita, não era um ambiente agradável para se trabalhar. Não existia qualquer criatividade no trabalho realizado durante esse período.

Mais tarde aprendi como poderia ser um líder. Este CTO não tinha todas as respostas. Ele não era o mais esperto ou inteligente de toda a equipa de engenharia. Mesmo assim, conseguiu juntar uma equipa para resistir a projectos longos e complexos. Rodeou-se de pessoas inteligentes e brilhantes. Alguns mesmo do tipo génio. Esses foram os dias em que comecei a aprender o que era um Líder por serviço.

Recentemente cruzei-me com uma história no livro Leaders Eat Last  do Simon Sinek onde ele conta como um comandante da Armada americana “aterrou” no comando de um navio totalmente diferente do navio que ele tinha sido formado, rodeado pela pior equipa pelos rankings da Marinha, e conseguiu “dar a volta ao navio”.

Ele escreveu um livro sobre a experiência, Turn the Ship Around, o qual ainda não li.

Resumindo, o comandante não sabia operar esse tipo de navio então em vez de confiar no modo comando-e-controlo, ele empoderou todos os marinheiros  para que eles pudessem dar as cartas.

Foi humilde o suficiente para se aperceber que ele não tinha todas as respostas. Apresentou-se vulnerável, como um elemento da equipa e não como “o chefe”.

Comunicação é a chave.

E não receies, a tua equipa não te vai roubar a posição de poder. Eles te olharão como o líder. Alguém que os levará por caminhos desconhecidos e tanto nos melhores como nos piores momentos, ele deixará que todos tenham a palavra.

Um líder tem a visão. Um líder sabe onde quer chegar com a sua equipa. Mas um líder também quer que toda a sua equipa esteja no barco consigo, para o bem, para o mal.

Mesmo que tenhas respostas, ouve os outros primeiro. Sê o último a falar. Se és um verdadeiro líder, terão a tua visão em consideração. Arrisca, deixa as tuas pessoas escolherem o caminho. Poderá não ser o mesmo percurso que tinhas em mente, mas é o percurso que a equipa quer tomar.

E mesmo em momentos de falha, mantém a compostura. Não deixes que as culpas caiam sobre os ombros da equipa. Poderás não ter todas as respostas, poderás não deter o conhecimento de toda a situação. Mas o teu papel será levantá-los e continuar o percurso. A tua equipa agradecer-te-á mais tarde. Lembra-te, isto é um “jogo” de equipa.

Sê o líder.

Sê vulnerável. Sê forte.

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